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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Visitas de Estudo

As visitas de estudo A visita de estudo é uma das estratégias que mais estimula os alunos dado o carácter motivador que constitui a saída do espaco escolar. A componente lúdica que envolve, bem como a relação professor-alunos que propicia, leva a que estes se empenhem na sua realização. Contudo, a visita de estudo é mais do que um passeio. Constitui uma situação de aprendizagem que favorece a aquisição de conhecimentos, proporciona o desenvolvimento de técnicas de trabalho, facilita a sociabilidade.
Um dos objectivos das novas metodologias de ensino-aprendizagem é, precisamente, promover a interligação entre teoria e prática, a escola e a realidade. A visita de estudo é um dos meios mais utilizados pelos professores para atingir este objectivo, ao nível das disciplinas que leccionam. Daí que seja uma prática muito utilizada como complemento para os conhecimentos previstos nos conteúdos programáticos que assim se tornam mais significativos.
Por outro lado, as visitas de estudo têm sido um dos instrumentos privilegiados no desenvolvimento da Área-Escola. Esta dimensão do currículo visa a concretização de saberes através de actividades e projectos multidisciplinares, a articulação escola-meio e a formação pessoal e social dos alunos. Organizadas neste contexto, as visitas de estudo têm, progressivamente, acentuado o seu carácter interdisciplinar: as deslocações dos alunos surgem integradas em projectos-turma, colaborando na sua planificação e organização professores de diferentes disciplinas. Uma mesma realidade é susceptível de ser abordada em diferentes perspectivas, tornando-se mais fácil para os alunos compreender, no concreto, que os conhecimentos não são compartimentados.
Visitas globalizantes - no decurso das quais se reconhecem aspectos geográficos, históricos, artísticos, económicos, literários… - favorecem a compreensão do carácter total da realidade. Estas experiências, que implicam a coordenação do trabalho entre os professores, tornam mais fácil a abordagem interdisciplinar dos diferentes conteúdos programáticos.
Apesar de preponderarem as visitas de carácter interdisciplinar, podem justificar-se visitas especializadas. Este tipo de visita visa abordar um aspecto específico de um tema de uma disciplina, assumindo um carácter "monográfico".
A visita de estudo tem múltiplas potencialidades pedagógicas e formativas; de entre elas destacam-se as que decorrem da relação de proximidade entre professores e alunos. Num outro registo, num outro contexto de trabalho, o clima interpessoal melhora. E, muitas vezes, mais importante que os conhecimentos que se adquirem, são as descobertas mútuas que se proporcionam.

A definição dos objectivos
O que distingue a visita de estudo de um passeio ou excursão é a sua integração no processo ensino-aprendizagem, bem como a sua planificação e preparação cuidada.
Na preparação de uma visita, o primeiro momento será a definição dos objectivos. Se estes forem de carácter fundamentalmente cognitivo, dever-se-á ter em conta o momento do processo de aprendizagem considerado mais oportuno para a realizar.
Muitas vezes a visita é utilizada como forma de motivar e sensibilizar os alunos para a abordagem de um tema, de uma questão. Pode ter como função concretizar e aplicar conhecimentos já adquiridos, culminando o estudo de um tema. Na maior parte das vezes tem por função a recolha de dados e informações que esclareçam e motivem um trabalho em curso.
Para além da aquisição de conhecimentos, as visitas de estudo possibilitam o desenvolvimento de várias competências e capacidades: a aquisição e aplicação de técnicas de pesquisa, recolha e tratamento de informação; o desenvolvimento de capacidades de observação e organização do trabalho, bem como a elaboração de sínteses e relatórios.
Por outro lado, propiciam condições para o desenvolvimento do trabalho em equipa e da comunicabilidade.
Ao planificar a visita, os professores deverão, em conjunto, definir os objectivos de carácter geral e específico.

O local e a data
O local a visitar depende dos objectivos que se pretendem atingir. Se a visita se enquadra num projecto em que intervêm várias disciplinas, a deslocação deve prever a visita a diferentes locais ou a um local que possibilite leituras diversas.
Se os professores não conhecem o local a visitar, há toda a conveniência em efectuar uma visita prévia para recolher informações e dados que permitam a elaboração de um guião e fichas de trabalho. Se a distância e a falta de disponibilidade não permitem esta deslocação, os professores poderão pedir às instituições o envio de materiais de apoio.
A data da visita terá de ter em conta a planificação. As marcações deverão ser feitas com antecedência porque, em muitos casos, é necessária a autorização das instituições que tutelam o local a visitar. Por outro lado, há que gerir a saída dos alunos, dado que podem ser programadas outras visitas, podem ser necessários subsídios e apoios para a sua realização, etc.

O dossier-guia
O guião ou dossier-guia deverá conter as informações básicas: dia e horário da partida e da chegada, material necessário, percurso… Contudo, se incluir outros elementos, poderá constituir um instrumento que oriente e rendibilize a visita de estudo.
Assim, o tema deve ser enunciado, podendo ser acompanhado por um ou mais textos. Os objectivos gerais e específicos devem ser registados; em muitos casos, os professores transcrevem os conteúdos programáticos relacionados com a visita. Deverão ser assinaladas as paragens previstas durante o percurso, bem como os aspectos que merecem ser observados: um rio, um monumento, uma actividade agrícola, uma produção artística… Estas paragens, que serão sugeridas pelos professores, tendo como critério o interesse que têm para as suas disciplinas, poderão ser assinaladas pelos alunos num mapa, que deve constar do dossier.
Poder-se-ão integrar fichas-guia onde, para além de dados e informações, se reservem espaços para os alunos registarem as suas observações e impressões pessoais.
Excertos de pequenos textos literários ou jornalísticos sobre o local a visitar, dados e informações especializadas, podem integrar o dossier. As fichas-guia devem chamar a atenção para os aspectos mais relevantes, bem como prever tarefas a cumprir durante a visita: descrever um objecto, fazer uma entrevista, tirar fotografias, fazer um desenho, aplicar um inquérito, fazer uma filmagem...
Pode-se pedir a cada aluno que eleja, livremente, o aspecto da visita que mais o tenha sensibilizado e que, sobre ele, produza um pequeno texto - poético, literário, jornalístico - acompanhado por uma imagem: um postal ou uma fotografia. Com estes materiais pode-se montar um painel sobre a visita.

A realização da visita
A forma como se realiza a visita depende de muitos factores: do nível etário dos alunos, do local a visitar, dos objectivos que se pretendem atingir. Na sua preparação e organização, os professores terão de definir o tipo de visita, porque a opção tem implicações no material a preparar e nos produtos a realizar.
A visita guiada, ou dirigida - por professores ou por guias -, valoriza, sobretudo, a transmissão de conhecimentos. O carácter expositivo remete os alunos para um papel passivo, sendo difícil mantê-los atentos e mobilizados para o que está a ser dito e mostrado. Este tipo de visita é, muitas vezes, utilizado para ilustrar um tema já leccionado. Mesmo assim, do ponto de vista didáctico, os resultados são pobres, porque não é solicitada a participação do aluno. A atenção do grupo - que deve ser pequeno - pode ser estimulada através de perguntas, esclarecimentos, registo de apontamentos… O período de exposição deve ser curto e não conter excesso de informação.
Na visita de descoberta, os alunos têm um papel activo: orientados por um guião, por fichas com informação, os alunos progridem no local a visitar. As fichas-guia, fornecidas pelos professores, variarão de acordo com o grupo etário a que se destinam, devendo prever actividades diversificadas.
Neste tipo de visita, o aluno assume um papel activo, tornando-a mais motivadora. Os professores são elementos disponíveis, a quem os alunos recorrem para tirar dúvidas e pedir esclarecimentos. Acompanhando os alunos, podem fornecer informações complementares e colocar questões que estimulem os alunos nas suas observações e registos.
Em determinadas circunstâncias - proximidade do local, nível etário, objectivos a atingir -, um grupo de alunos pode deslocar-se com antecedência para fazer o levantamento dos aspectos mais importantes do local a visitar. Estes alunos devem ser escolhidos segundo critérios definidos pelos professores (ex.: alunos com problemas ou insucesso escolar e alunos bem sucedidos). Com os professores, preparam a visita, servindo de guias quando a turma realizar a deslocação.
Ao organizar a visita, os professores devem prever períodos de divertimento e de convívio. Uma visita sobrecarregada acaba por ter efeitos negativos. Além disso, um objectivo importante deste tipo de actividades é favorecer a comunicação entre os participantes, bem como aliar o aspecto lúdico ao trabalho.

Os produtos e a avaliação
Contudo, para além dos relatórios, pode ser produzido, a propósito da visita, outro tipo de materiais privilegiando a comunicação à escola: a publicação de artigos no jornal escolar, a afixação de cartazes com textos e fotografias, a passagem de filmes feitos pelos alunos, a realização e projecção de um diaporama, etc.
Será de todo o interesse que estes materiais sejam classificados e arquivados na biblioteca e mediateca da escola. Podem constituir recursos a utilizar pelos professores, noutras turmas e noutros anos.
A avaliação dos resultados é uma etapa importante em qualquer acto pedagógico. Deverá ser feita uma avaliação colectiva de todo o processo, identificando-se os aspectos positivos e negativos. É a análise crítica do trabalho de organização e concretização da visita que possibilitará a introdução de alterações em experiências futuras.
A avaliação da participação e desempenho dos alunos poderá ser feita a partir de fichas de auto e hetero-avaliação. Se os professores valorizarem, fundamentalmente, as aquisições no domínio cognitivo, poderão aplicar fichas de aferição de conhecimentos. Contudo, não deverão ser esquecidos os aspectos comportamentais: a iniciativa e o empenhamento do aluno, a interacção em grupo.

A participação dos alunos
O aspecto mais importante de uma visita é a adesão dos alunos: é mesmo a condição do seu sucesso. Por isso, devem ser envolvidos em todas as fases: planificação, preparação, organização e avaliação da visita. A sua participação activa na discussão dos objectivos, bem como nas tarefas que envolvem a organização, é condição do sucesso pedagógico da visita.
O programa deve ser discutido e elaborado pelos professores e alunos. Estes deverão recolher textos, notícias e informações sobre o local, seleccionar mapas e plantas. A preparação do itinerário e do guião deve contar com a colaboração activa dos alunos, que poderão ser responsabilizados pelo tratamento informático dos materiais de apoio.
Poderá caber aos alunos a tarefa de contactar as empresas de transportes, para recolher orçamentos e, assim, se poder optar pelo mais favorável. Orientados pelos professores, poderão dirigir-se à autarquia ou empresas da comunidade, para solicitar apoios financeiros. Ao contactar com diferentes instituições, o aluno compreende que a escola é um elemento interactivo e interdependente da comunidade.
Estas diferentes tarefas deverão ser distribuídas por grupos, que se responsabilizarão pela sua execução.
Será também, através dos alunos, que se poderá envolver os pais. O pedido de autorização dirigido aos Encarregados de Educação deve fornecer informação sobre o horário, itinerário, custo e material necessário. Mas, além disso, deve esclarecer os objectivos da visita. Se for organizada uma exposição dos materiais produzidos, os pais deverão ser convidados. Muitas vezes, as visitas de estudo proporcionam oportunidades para, em contactos mais informais, se estabelecer relações mais próximas entre a escola e as famílias.
Bibliografia
CARVALHO, A. (1991). "Sair da Escola - classes de Descoberta", in Revista "Aprender".
CARVALHO, A. (1991). "Sair da Escola é aprender", in Revista "O Professor", n.o 17.
DRAHON, G.; JULOX J. (1987). Vivre ensemble, Ed. L'Harmattan, Paris.
FERNANDES, O. (1982). Visitas de estudo, in Revista "O Professor", n.o 36.
LADMIRAL, J. R., e LIPIANSKY (1989). La communication interculturel, Ed. A. Colin, Paris.
TAVARES, A.; CALDEIRA, A. (s/d) Lisboa e a Expansão marítima dos séculos XV e XVI - roteiros para visitas de estudo, Edição do Ministério da Educação.
OTTEN, H. (1993) Aprendizagem intercultural - 10 teses, Ed. Instituto da Juventude.
Boletins editados pela Oficina de Formação e interacção cultural para uma Escola Europeia - Escola Superior de Educação do Porto.
COSTA, F.; LOBATO, M. J.; NUNES, R. (1992). Guião - organizadores de intercâmbio, Ed. Instituto da Juventude.


Monteiro, Manuela - "Intercâmbios e Visitas de Estudo", in Novas Metodologias em Educação, Porto Editora, pgs. 171-197

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Educação Especial (Organização)

Ao clicar no link abaixo indicado, poderá consultar um trabalho académico acerca da atual oranização da Educação Especial nas escolas públicas:

Ensino Especial
EDUCAÇÃO ESPECIAL NAS ESCOLAS NUMA PERSPETIVA
ORGANIZACIONAL

domingo, 20 de março de 2011

Recreios escolares e prevenção da violência : dos espaços às actividades

A escola é um espaço de educação para os valores ou um reflexo da sociedade que valoriza o consumo? Educar para o jogo visa transformar a escola em espaço de nada fazer ou visa torná-la um verdadeiro espaço educativo? Empenhamento e esforço são atributos da educação e do próprio jogo. A estas temáticas dedicamos a primeira parte deste texto. Na segunda parte procuramos reflectir sobre a violência na escola e apresentamos medidas de intervenção. Centramos o nosso olhar sobre os recreios escolares, não só pela necessidade de novos olhares sobre estes espaços como também por serem os locais onde o bullying é mais frequente. Procuramos fazer um apontamento sobre os conflitos e terminamos com uma menção específica aos jogos de luta e ao seu espaço nos jardins de infância e nas escolas básicas.

ver Artigo:
Recreios escolares e prevenção da violência : dos espaços às actividades

terça-feira, 1 de março de 2011

 Durante o meu percurso profissional tenho-me debatido com o problema do nível socioeconómico e do insucesso escolar. Considero que se todos percebessem essa relação alguma coisa poderia ser feita em prole do sucesso acessível a todos ao invés de compararmos médias em rankings que se ficam pelas meras listas e não levam a reflexões.


Ver Artigo:
Insucesso escolar: A importância do nível socioeconómico e do género


Resumo: Este estudo pretende verificar se existe veracidade sob a ideia tão difundida na opinião pública de que as raparigas são melhores alunas que os rapazes. Partindo do pressuposto de que nem a categoria «rapariga» nem a categoria «rapaz» são homogéneas estas categorias foram estudadas em relação com o nível socio-económico. Para tal, analisou-se se existia uma relação entre as classificações escolares e o sexo e nível socio-económico dos alunos. Realizaram-se diversos procedimentos estatísticos que compararam: (1) rapazes e raparigas do mesmo nível socio-económico e de níveis socio-económicos diferentes; (2) as raparigas dos diferentes níveis socio-económicos e os rapazes dos diferentes níveis socio-económicos. Os resultados deste estudo são discutidos em função dos pressupostos teóricos e da política educativa relativa à igualdade entre sexos e classes sociais.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Relação Professor/Aluno

ATITUDES DO PROFESSOR QUE FAVORECEM A RELAÇÃO COM OS ALUNOS

1. Planificar e programar bem as aulas. Não confiar na improvisação.

2. Manter sempre os alunos ocupados porque nada favorece tanto a indisciplina como não ter nada que fazer.

3. Evitar centrar-se num aluno, pois os outros ficarão entregues a si mesmos.

4. Evitar os privilégios na aula. A escola deve ser um lugar de combate aos privilégios.

5. Não fazer alarde de rigor. Quando for necessário corrigir, fazê-lo com naturalidade e segurança.

6. Não falar de assuntos estranhos à aula.

7. Aproximar-se dos alunos de modo amigável, tanto dentro como fora da escola.

8. Estar a par dos problemas particulares dos alunos para poder ajudá-los quando
necessário.

9. Se tiver de fazer uma admoestação, que esta seja firme, mas que nunca ultrapasse a
linha do amor-próprio e seja de preferência em privado.

10. Procurar um ambiente cordial, relaxado e sereno.

11. Ser coerente e não justificar as incoerências. Quando houver alguma incoerência o
melhor é reconhecê-la e honestamente rectificá-la.

12. Se se aplica um castigo deve ser mantido e cumprido, a não ser que haja um grande
equívoco que justifique uma mudança de atitude.

13. Não se deve castigar sem explicar clara e explicitamente o motivo do castigo.

14. Não agir em momentos de ira e descontrolo.

15. Evitar ameaças que depois não possam ser cumpridas, pois isso tira prestígio ao
professor.

16. Os chefes de equipa ou grupo devem colaborar na disciplina da aula.

17. Há que ser pródigo em estímulos e reconhecimentos de tudo o que de bom faça o aluno,embora sem exageros ou formas que pareçam pouco sinceras.

18. Evitar castigar todos aos alunos por culpa de um só, a não ser que existam implicações gerais.

19. Evitar atitudes de ironia e sarcasmo.

20. Ser sincero e franco com os alunos.

21. Saber dar algo aos alunos, não pedir-lhes sempre.

in: http://professor.aaldeia.net/disciplinanasaulas.htm

Dez Mandamentos Para Professores

1. Tenha interesse pela sua matéria.

2. Conheça a sua matéria.

3. Procure ler as expressões faciais dos seus alunos; procure descobrir as suas
expectativas e as suas dificuldades; ponha-se no lugar deles.

4. Compreenda que a melhor maneira de aprender alguma coisa é descobri-la você
mesmo.

5. Dê aos seus alunos não apenas informação, mas atitudes mentais e o hábito de
trabalho metódico.

6. Faça-os aprender a dar palpites.

7. Faça-os aprender a demonstrar.

8. Procure encontrar, no problema que está abordando, aspectos que poderão ser
úteis nos problemas que virão - procure descobrir o modelo geral que está por trás
da presente situação concreta.

9. Não desvende o segredo de uma vez - deixe os alunos darem palpites antes -
deixe-os descobrir por si próprios, na medida do possível.

10. Sugira, não os faça engolir à força.

George Polya
in "Jornal da Matemática Elementar" nº 119

sábado, 15 de janeiro de 2011

Primeiros Socorros

Manual de Primeiros Socorros (clique em cima)

Situações de urgência para Escolas, Jardins de Infância e Campos de Férias

Piolhos

As crianças em idade escolar são o grupo mais afectado pelo Pediculus humanus capitis (vulgo piolho da cabeça). Estes parasitas, de cor castanho-acinzentado, medem cerca de 2,5 mm de comprimento.

Como é possível que um ser tão pequeno seja capaz de causar semelhante "dor de cabeça" a pais e professores? E sobretudo uma comichão intensa no couro cabeludo das crianças?! De facto, as crianças em idade escolar são o grupo mais afectado pelo Pediculus humanus capitis (vulgo piolho da cabeça). Estes parasitas, de cor castanho-acinzentado, medem cerca de 2,5 mm de comprimento. Eles fixam os seus ovos aos fios de cabelo, perto do couro cabeludo, por uma substância pegajosa, assumindo a forma vulgarmente conhecida como lêndea.

O regresso às aulas, devido ao contacto mais próximo entre as crianças, é a altura do ano mais propícia ao contágio. Este é feito mais frequentemente por contacto interpessoal próximo (cabeça-a-cabeça), mas também é comum a transmissão através da partilha de chapéus, escovas e outros objectos pessoais de pessoas contaminadas. O simples acto de pendurar a roupa (infectada) junto de outra no bengaleiro da escola é o suficiente para fazer proliferar esta 'praga' num estabelecimento de ensino e mesmo dentro das próprias famílias. E se pensa que este "mal" nunca vai acontecer ao seu filho porque higiene é coisa que não falta lá em casa, está enganado!

A pediculose afecta tanto cabeças limpas como pouco limpas, crianças pobres ou crianças de classe média e alta, cabelos curtos ou compridos. O piolho necessita de uma superfície com cabelo para sobreviver, sendo, fora do hospedeiro, viável apenas durante 48 horas e a lêndea durante 10 dias. Apesar de o cabelo curto ser menos convidativo para estes parasitas, ele não é, por si só, uma protecção segura contra estes minúsculos insectos. Então, o que fazer?

Em primeiro lugar, é essencial não ter vergonha de falar neste assunto e acima de tudo saber que piolhos não são sinónimo de falta de higiene. O melhor aliado dos piolhos é o silêncio que se faz à sua volta por, ainda hoje, ser considerado por muitos um assunto tabu. É muito importante avisar a escola se chegar à conclusão que o seu filho trouxe para casa uma série de novos "amiguinhos" pendurados no cabelo. Por outro lado, os responsáveis pelo estabelecimento de ensino têm obrigação de comunicar aos pais se verificarem o aparecimento de um surto de pediculose. Só assim é possível cortar o mal pela raiz e pôr em prática o tratamento adequado.

A comichão intensa e a irritação da pele da cabeça são os sinais clínicos mais preponderantes, que é mais evidente na região da nuca e atrás das orelhas. Infelizmente, quando a infestação é detectada, geralmente já dura há várias semanas.

Uma maneira simples de perceber há quanto tempo os parasitas estão no hospedeiro é medir a distância das lêndeas do couro cabeludo. Sabendo que o cabelo cresce em média 1 cm por mês, as lêndeas afastadas mais de 2 cm do escalpe indicam mais de dois meses de postura. É difícil encontrar um piolho vivo, visto que estes insectos se movem com muita rapidez. Por isso, o diagnóstico é feito mais vezes através da existência dos seus ovos (lêndeas), de cor branco-nacarado, com cerca de 0,8 mm e firmemente agarrados à haste do cabelo. Um problema que se põe é distinguir outras situações que podem simular a pediculose, como a caspa, a seborreia ou produtos para o cabelo de uso comum, como o vulgar gel. Estes distinguem-se das lêndeas porque são fáceis de remover com as pontas dos dedos.

O piolho alimenta-se de sangue e por isso começa por morder a pele da cabeça. Esta mordedura não causa dor por si só, mas quando está a sugar o sangue, este insecto expele saliva, a qual tem características alergizantes. Isto causa inflamação da pele da cabeça e uma intensa comichão. Ao coçar-se, o indivíduo faz com que as fezes do piolho entrem nas feridas, o que aumenta ainda mais a inflamação e a comichão. Este ciclo vicioso pode levar à infecção secundária por bactérias destas lesões, levando por vezes ao aparecimento de gânglios no pescoço. Muitas vezes, a criança passa a noite inteira a coçar-se, dorme mal e vai para a escola muito sonolenta. Claro está que com sono e muita comichão é difícil estar com a concentração adequada nas aulas. Por isso, há quem fale na relação causa-efeito da pediculose e baixo rendimento escolar.

Tratamento
No que diz respeito ao tratamento, existem vários insecticidas na forma de champôs ou cremes de lavagem que são bastante eficazes na eliminação de piolhos e lêndeas. Uma vez que o período de incubação dos ovos do piolho varia de 6 a 10 dias, após a primeira aplicação, esses medicamentos devem ser aplicados novamente dentro de uma ou duas semanas para atingir os parasitas que tenham aparecido entretanto.

A maioria das respostas insuficientes ao tratamento é devida à má técnica empregue ou à falta de repetição do tratamento em tempo útil. Existem, no entanto, evidências do aparecimento de resistências aos insecticidas. Como medida adjuvante, é importante usar uma solução de mistura de vinagre e água (deixar actuar durante meia hora) ao pentear os cabelos com um pente de dentes apertados. É que as lêndeas são muito difíceis de remover e o vinagre é usado para amolecer a substância que fixa firmemente as lêndeas aos fios de cabelos. Este procedimento deve ser repetido diariamente durante vários dias.

Mesmo quando já não parecer existirem mais piolhos, é prudente examinar o cabelo uma vez por semana. Os pais devem saber que a comichão pode durar semanas após um tratamento bem sucedido. É importante sublinhar este facto, pois tratamentos repetidos podem ocasionar uma dermatite de contacto. A maioria destes produtos é irritante para a pele que já de si está irritada e inflamada devido à acção da saliva e das fezes dos parasitas nas feridas.

As lêndeas são muito sensíveis ao calor e por isso as roupas de cama e de corpo devem ser lavadas com água bem quente e passadas a ferro a altas temperaturas. Chapéus, roupas e outros objectos que não possam ser tratados pelo calor, devem ser selados num saco de plástico durante quatro semanas; qualquer piolho que tenha eclodido durante este período morrerá de fome. O ambiente deve ser aspirado com aparelho a vácuo. Não é aconselhável o uso de insecticidas para o ambiente.

Todos os membros do agregado familiar devem ser tratados ao mesmo tempo para erradicar a infestação. Por vezes surgem dúvidas quanto à necessidade de tratar os animais domésticos. O tratamento é completamente desnecessário pois o piolho não se transmite aos animais.

Finalmente, põe-se a questão da proibição ou não de frequentar a escola durante a infestação. Em Portugal, cada estabelecimento de ensino dita as suas próprias regras, pois este é um assunto discutível. Se por um lado é importante afastar a criança dos outros alunos para evitar a transmissão contínua, por outro convém lembrar que quando se identifica o problema, a criança já tem piolhos há várias semanas. Mais uma vez se lembra que o facto de o seu filho ser afastado da escola por uns dias não significa que a família tenha falta de higiene; significa, simplesmente, que os responsáveis da escola pretendem minimizar o número de crianças infestadas.

Gabriela Marques Pereira, interna complementar de Pediatria do Hospital de Braga

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Televisão vs Crianças

As crianças com menos de 8 anos, têm muitas dificuldades em entender que a publicidade é uma forma de vender um produto, tornando-se assim impossível ver qualquer defeito no objecto anunciado.

Os riscos de ver muita televisão são bem conhecidos e estudados.

Violência
A violência na televisão surge como uma ameaça ao seu filho de duas formas diferentes. Em primeiro lugar, embora os pais queiram transmitir aos filhos que a violência e a agressividade não são o melhor caminho para a resolução de problemas, muitas vezes a televisão apresenta-a sob o ponto de vista dos "bons", dos heróis que simplesmente fazem justiça e dão aos "maus" aquilo que eles merecem, transmitindo a ideia errónea de que, dependendo de quem a pratica e das suas intenções, a agressividade é um acto justificado. Por outro lado, ver cenas de violência pode assustar a criança, de formas variadas dependendo da sua idade. Dos 2 aos 7 anos, a criança fica particularmente assustada com cenas que apresentam figuras grotescas como bruxas e monstros, pois nesta fase tem ainda alguma dificuldade em distinguir a fantasia e a realidade. Mais tarde, dos 8 aos 12 anos os medos associam-se a cenários de desastres naturais, guerras ou situações em que as crianças são vítimas, quer estas sejam apresentadas em ficção, nas notícias ou em reality-shows.

Comportamentos de risco
Quem vê televisão sabe que quer em séries de ficção, filmes ou anúncios, comportamentos de risco como o consumo de álcool, drogas ou tabaco são apresentados como sendo cool e normal, não apresentando muitas vezes as reais consequências destes hábitos. Da mesma forma, a actividade sexual é muitas vezes banalizada e descontextualizada, não se dando qualquer importância ao perigo de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez na adolescência e outras doenças problemáticas que daí poderão advir.

Obesidade
Bem conhecida e comprovada é a ligação entre a televisão excessiva e a obesidade infantil, esta última constituindo já um grave e preocupante problema de saúde pública. As razões desta associação são óbvias: por um lado, se uma criança passa grande parte do seu tempo a ver televisão (actividade que não exige grande dispêndio de energia), passa menos tempo a realizar actividades menos sedentárias como jogar à bola, ou às escondidas, que exigem que corra ou se movimente, tornando-o mais susceptível ao aumento de peso. Por outro lado, a criança é bombardeada constantemente com anúncios de alimentos "fáceis", apelativos e altamente energéticos como os snacks, hambúrgueres, chocolates, gomas, batatas fritas e bebidas gaseificadas, que ainda por cima associam muitas vezes a oferta de brindes (dos heróis da TV mais conhecidos), tornando-as absolutamente irresistíveis para qualquer criança. Esta combinação de sedentarismo com alimentos de elevado teor calórico é uma das grandes responsáveis pela epidemia do século XXI como já é apelidada a obesidade!

Alteração dos padrões de sono
O risco de vermos alterados os padrões de sono das nossas crianças pelo facto de verem muita televisão apresenta-se sob duas formas: a primeira, e decerto bem presente no dia-a-dia de muitas famílias reside na dificuldade que muitos pais têm em arrancar os filhos da frente do ecrã na hora de deitar. Cada vez mais programas com conteúdos apelativos para os mais jovens passam a horas tardias, fazendo com que muitas vezes o sono seja preterido em detrimento deste ou daquele programa. Deste modo a criança deita-se mais tarde, mantendo a hora de levantar, ficando privada do sono tão essencial para o seu normal desenvolvimento e rendimento escolar. A outra forma da afectação do sono prende-se com o conteúdo dos programas a que a criança assiste. Nos mais novos, figuras agressivas (monstros, bruxas, etc.) geram medos e angústias que podem perturbar o sono causando insónia ou terrores nocturnos. Nas crianças mais velhas, que assistem frequentemente aos noticiários, pode levar a uma certa ansiedade e medo de acontecimentos muitas vezes aí reportados como crimes violentos, guerras ou catástrofes naturais.

Publicidade
A publicidade é um dos grandes perigos da televisão, não só por influenciar aspectos como a obesidade e os comportamentos de risco, como pela ansiedade que pode causar na criança que quer ter determinado produto altamente publicitado. Isto pode constituir um grave problema para os pais na medida em que o filho simplesmente exige o objecto anunciado, causando muitas vezes rivalidades e disparidades entre os pares (os amiguinhos que têm e os que não têm). As crianças com menos de 8 anos têm muitas dificuldades em entender que a publicidade é uma forma de vender um produto, tornando-se assim impossível ver qualquer defeito no objecto anunciado, tornando-o ainda mais apelativo.

Por fim, alguns conselhos para os pais que querem tornar a televisão uma actividade mais segura para os seus filhos:
- Retire a televisão do quarto das crianças e coloque brinquedos, jogos e outras alternativas apetecíveis na divisão onde esta se encontra.

- Desligue-a na hora da refeição, privilegiando assim um momento de convívio em família.

- Seleccione os programas mais adequados de acordo com a idade da criança, e idealmente, veja-o com o seu filho - isso proporcionar-lhe-á uma forma de filtrar conteúdos, bem como ir explicando e educando à medida que o programa decorre.

- Discuta as suas preocupações com outros pais e professores, assim poderá evitar que o seu filho seja o único que não vê este ou aquele programa, sentindo-se de certa forma diferente.

- Veja também poucas horas de televisão: além de dar o exemplo, é mais tempo que poderá passar com o seu filho a praticar desporto, ler ou simplesmente brincar...

Joana Dias com a colaboração de Augusta Gonçalves, pediatra do Hospital São Marcos em Braga